22.2.15

"A propósito de violência e religião: uma aproximação filosófico-teológica ao problema do mal", no blog Teologia Pentecostal

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O relato de Gênesis expõe sem rodeios: Caim, o primeiro irmão, foi também o primeiro fratricida, assassinando seu irmão Abel. Desde que o pecado entrou na criação, somos em princípio rivais uns dos outros, prontos a eliminar indivíduos que constituam obstáculos à realização de nossos desejos. Nesse sentido, a pergunta feita por Caim a Deus quando questionado sobre o paradeiro de Abel é precisa: “Acaso sou eu guardião de meu irmão?”.
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Dum ponto de vista estritamente metafísico, não vejo como se possa declarar a impossibilidade do mal uma vez consumada a criação: se o mundo é contingente, não pode não haver o mal. Aproximando-me da linguagem teológica, mas ainda falando do campo metafísico: ou Deus é tudo o que há, ou há o mal; ou não há nada além de Deus, ou há o mal. Isto é o princípio da criação, numa perspectiva teísta: Deus criar espaço para haver algo que não Ele.
Por isso a criação do mundo por Deus não é como a criação de um prédio por um arquiteto. A criação do mundo vem acompanhada de lágrimas, implica um engajamento pessoal, um envolvimento afetivo, é um ato de doação. Por isso o retrato pintado por Michelangelo da criação de Adão dá já à cena uma áurea melancólica, de um afastamento indesejado que o próprio ato criativo requer. A criação dói.
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