27.11.14

"Peso de glória: a noção cristã de inferno", no blog Teologia Pentecostal

Tomo emprestada parte do título da obra de C. S. Lewis Peso de Glória porque ele mesmo já a emprestara de Paulo, o apóstolo: “a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória, acima de toda comparação” (2 Co 4.17). A princípio, esse texto parece trazer em si um termo incompreensível: “peso de glória”, que viria a ser isso? “Peso” se refere a coisas materiais, com extensão, que se pode mensurar; “glória” traz-nos à mente brilhos ofuscantes, lampejos etéreos, emanações espirituais. “Peso de glória”, numa primeira audição, soa tão incompreensível quanto “metros de saudade” ou “graus de madeira”.
Peso de glória é um convite ao conhecimento. Por seu caráter paradoxal, o termo se nos impõe, como um peso. A tribulação que enfrentamos na terra é leve – pesada é a glória que ela produz no céu. O termo aponta, de um lado, para a unidade da criação de Deus: o que se faz na terra tem efeito no céu – assim não fosse, Jesus não poderia ter legado à Igreja chaves para ligar e desligar coisas na terra e no céu. De outro lado, tal unidade não é do tipo panteísta, que equipara ontologicamente tudo o que existe: o termo não nega a contradição entre o que pesa e o que resplandece, mas a radicaliza – é surpreendente que haja um peso de glória, que a glória pese. E noto ainda uma terceira intuição subjacente ao termo “peso de glória”: dá-se, entre os elementos opostos, uma primazia de significado à glória – é ela que pesa, o que pesa é a glória: tribulações são leves – e uma primazia de sensação ao peso – a glória sobressai-se à tribulação porque pesa. O peso não é a glória, a glória não é o peso, mas a glória pesa, pode-se sentir a glória – e, perante ela, as tribulações são leves.
A noção cristã de céu, portanto, não é como a arcaica, que projeta brutamente para um além as benesses tidas como ideais, e que para a maioria das pessoas são intangíveis, nesta vida – sombra, água fresca e mulheres bonitas ad infinitum. Também não é como a espiritualista, que imagina a eternidade como uma vadeação errante de espíritos desincorporados, que eventualmente podem se alegrar ou sofrer como recompensa ou castigo de atos outrora cometidos em corpo. Há uma continuidade, e constantes intercâmbios, entre esta vida e a que há de vir. O céu não é só de peso, como também não é só de glória: é de um peso de glória.
Mas, assim como a esperança cristã contempla o peso e contempla a glória, o evangelho fala de céu e fala de inferno. E, se quisermos pregar fielmente todo o conselho de Deus, deveremos saber comunicar ao mundo a eminência do juízo sem fazer depender essa anunciação de imaginações arcaicas. Caso contrário, continuará a parecer atraente ao mundo moderno a escatologia isenta de inferno – e, por conseguinte, isenta de juízo – dos universalistas e outros liberais.
Entendo que as menções bíblicas ao inferno apontam para a existência de um peso de condenação. (...)

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